Assédio sexual em São Paulo. Elas são culpadas?

Eu estava no metrô da linha amarela aquele dia. O calor era intenso, típico dia de tirar e colocar a blusa, algo normal em São Paulo. Para ficar confortável, coloquei uma saia, blusinha mais aberta e fui. O metrô lotado como sempre, mas nada que justificasse a ereção de um homem, que me ‘encoxava’. Eu nunca vou esquecer isso. O nojo que senti”.

Se você é do tipo que lê este depoimento e acha que Julia* foi burra por não fazer o maior escândalo, provavelmente não entende o quão inesperado e desesperador é para uma garota. Agora, se você é do tipo que acha que a ela mereceu, por usar roupas curtas, feche este texto e vá se tratar urgentemente.

Não é nada incomum andar por São Paulo e se deparar com homens secando as mulheres e, em sua grande maioria, crianças com o corpo mais desenvolvido.

Uma colega, Laura*, estava se encaminhando para um bar muito conhecido e frequentado da Augusta. O relógio se aproximava das 23h, e mesmo com o frio, ela estava do jeito que queria. Saia, um longo decote e cabelos soltos. Sua mãe lhe advertiu, dizendo que “menina ‘direita’ não andava aquela hora da noite e com tais vestimentas”. Laura achou que devia se vestir da forma que achasse adequado. Compartilho desta opinião, mas vamos seguir.

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Foto: Estadão Conteúdo

Ao se aproximar do bar, um grupo de garotos, fumando cigarros e bebendo cerveja preta, começaram a despi-la com os olhos, ao mesmo tempo em que passavam as mãos em seus respectivos órgãos sexuais. Laura ficou chocada. Ela foi estuprada. Não fisicamente.

São Paulo é uma cidade evoluída em muitos pontos, menos educacional – assim como o resto do Brasil. As mulheres andam com medo, os homens – muitas vezes com aliança no dedo – as intimidam, como foi o caso de Laura, ou a agridem fisicamente, como Julia. Ambos são terríveis, não existe um pior.

As mulheres estão sujeitas a todo tipo de humilhação, deixando claro a desigualdade de gêneros que é existente.

Usando como inspiração vídeo feito em Nova York, uma jornalista saiu às ruas de Teresina e deixou explicito o assunto do qual estou tratando.

O metrô de São Paulo já apresenta campanhas contra o assédio sexual dentro das estações, mas apenas isto resolve? Não. As pessoas precisam enxergar além dos seus interesses. Além da ilusória ‘perfeição’ que paira na Paulista.

NÃO. Elas não são culpadas.

*Nomes fictícios.

Fonte: Sobreviva em São Paulo

Redação Metropolitana

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